JUÇAREANDO

Dança a irreverente folha ao vento,

Num estranho e lindo ritual,

Qual coreografada a mãos divinas,

Brilha a esbelta ninfa da Amazônia,

Sangram os olhos negros de iuaçá,

Borbotões, cascatas de sabor,

Chamam ao paladar filhos da terra,

Eçabara, cainã te encontrou!

Um jamaxi caiuá da folha fez,

Para a carga leve mais ficar,

Durante a caminhada ainda desfruta

Do bom gosto das frutas que colheu,

Ao palmito tupã, por que te matam?

Se tão menor porção nos pode dar!

Katiba a ceuci entrega a alma,

Ao ver sahy nos olhos de baíra.

Açaí, bem sei, açaizeiros,

Igapó, tijuco é teu lugar,

Tuas folhas guardam o guahytí

Aonde a majuí vem descansar,

O tucano tem comida farta,

O sabiá deleita-se ao prazer,

É meu prazer também beber teu vinho,

Provar uma vez, nunca parar mais,

É néctar dos deuses qual tupã,

Ibiacy jamais deixa faltar,

Miraíra adoça-me o manjar,

No alguidá, o sangue do Amapá.

(Vozes do Amapá)