Triste Alma
Gélidos e pávidos lábios tocam minha aveludada e pálida pele
Nesta fria noite soturna de um tristonho e tenebroso outono
Como lágrimas em uma eterna despedida que o coração repele
O silêncio cria numa abstrata sinfonia um perfeito trítono
Vários pares de lúgubres olhares fitam-me desnudando-me a alma
Palavras vazias de pessoas cheias de nada preenchem o salão
A chuva cai lentamente lavando as calçadas com calma
Enquanto no peito jaz uma alegria, jaz uma vida parou-me o coração
Nas veias nenhuma gota circula desse sangue misantropo
Nos pulmões o ar se esvai como lágrimas que caem com calma
Logo estará neste eterno e sorumbático sono, este corpo
Logo estará acorrentada no inferno essa triste alma