Cesta básica

Caminhar no fio da navalha

Socar com força a parede

Todo dia

A agonia e a poesia de viver

O sonho é distante

E o projeto não pode perecer

Parece uma cruzada

Um labirinto

Uma fornalha

Alguns falam em inflação

Outros sebtem o gosto da inanição

A verdade filosófica e o mistério do cosmos

Contrastando com o fim do mês

Já sou freguês

A prestação atrasada

A feira

A Cesta básica

O preço do cimento

Com fé no firmamento esse deserto finda antes do pagamento

A labuta diária

A exploração sem fim

São dois lados da mesma moeda

Andar no fio da navalha

É melhor do que o mofo da paralisia

Na fábrica dos sonhos alforria não é à aposentadoria

A correria é o próprio caminho

Mesmo que se sinta sozinho

Sem trabalho muitos padecem

E parece que esse ostracismo não têm fim

O jogo das oportunidades

Têm suas cartas marcadas

Tapetes voadores

Volta e meia são puxados

Desconfie constantemente

É sempre bom não depender dessa gente

A honestidade é uma ilha abandonada

Mas é possivel nela habitar

No jogo de cartas marcadas

É melhor não saber entrar

Marcos Frank
Enviado por Marcos Frank em 26/03/2025
Reeditado em 27/03/2025
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