Coração congelado
Tardes esfaceladas, vazias de sentido,
O vento uiva, um cão raivoso,
Turbinas a jato cospem fogo,
Aviões passam, uma flecha metálica
Estremecem os pensamentos, como uma corda de citara
Cabeças aéreas, mocidade em fogo
Corações congelados, presos em um cárcere de gelo,
Sem horizontes, nem pontes
Sem saídas
Sem portas,
Sem passarela,
A olhar para a imensidão do mar, outrora
refúgio das manhãs
A areia que lhe foi íntima, agora uma memória distante,
O céu azul que vislumbrava, agora um peso sobre sua alma.
E hoje, ali, numa poltrona jogado ao canto
A esperar o porvir, uma sombra sem forma
A sorrir de si mesmo, uma máscara de seda
A falar sem ter quem lhe ouça, um eco no vazio
A dormir sem sonhos, uma noite sem estrelas;
A acordar sem esperança, um dia sem sol