Coração congelado

 

Tardes esfaceladas, vazias de sentido,

O vento uiva, um cão raivoso,

Turbinas a jato cospem fogo,

Aviões passam, uma flecha metálica 

Estremecem os pensamentos, como uma corda de citara

Cabeças aéreas, mocidade em fogo

Corações congelados, presos em um cárcere de gelo,

Sem horizontes, nem pontes

Sem saídas

Sem portas,

Sem passarela,

A olhar para a imensidão do mar, outrora 

refúgio das manhãs 

A areia que lhe foi íntima, agora uma memória distante,

O céu azul que vislumbrava, agora um peso sobre sua alma.

E hoje, ali, numa poltrona jogado ao canto

A esperar o porvir, uma sombra sem forma

A sorrir de si mesmo, uma máscara de seda 

A falar sem ter quem lhe ouça, um eco no vazio

A dormir sem sonhos, uma noite sem estrelas;

A acordar sem esperança, um dia sem sol

 

 

Labareda
Enviado por Labareda em 23/03/2025
Reeditado em 28/03/2025
Código do texto: T8292549
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