Borboleta
Despeço-me desta vida
Como se não fosse nada,
Fazendo dessa despedida
Uma causa esvaziada.
Suspiro profundamente:
– O ar está tão pesado!
E bem logo à minha frente,
O pôr do sol vem arrastado.
Deitado pelo meu jardim,
Reflito nesta decisão,
Pensando se além do fim
Há mais do que escuridão.
Talvez não seja importante,
– Quem sabe o que esperar?
Se o destino for frustrante,
Nenhuma dor vai me causar.
Das flores, uma borboleta
Em minhas mãos veio pousar.
Suas asas de cor violeta
Brilhavam à luz do luar.
A noite, enfim, se achegou,
É a hora do sim ou do não.
A borboleta, que em mim pousou,
Voou quando bati as mãos.
Mas seu brilho me encantou
De uma forma diferente.
Por um instante, me livrou
Dessa dor tão imponente.
Quem sabe, por mais um dia,
Eu consiga reconsiderar...
Que, nesta vida vazia,
A salvação posso encontrar.