Recanto dos Rejeitados
( Para melhor experiência, leia ao som de o patrão nosso de cada dia - secos e molhados).
Meu lugar é com os pobres, os loucos e os miseráveis. Não existem pessoas com as quais eu possa aprender melhor sobre a vida do que com eles. Um rico, na maioria das vezes, se torna tolo por causa de sua riqueza imaginária. Nos rejeitados, eu posso ver um coração que pulsa a todo momento e clama por vida.
Tenho muito a aprender com aqueles que não têm nada para oferecer socialmente, mas que, de alma, me dão lições diárias que nunca poderei esquecer. E, se estiver ao meu alcance ajudar um pouco nessas vidas para que possam encontrar a riqueza interna, que eu seja essa pessoa que os faça enxergar a luz além do material.
Sim, é inevitável: nossa matéria sofre — e muito —, e deveria ser proibido que alguém, neste mundo, fosse privado do pão de cada dia. Para as pessoas que ainda têm coração, sejamos guerreiros em busca de estender as mãos e ajudar nossos irmãos, entendendo que, no fim, fazemos parte da mesma centelha divina.
Mas é ao lado dos rejeitados que posso aprender que a maior riqueza da vida habita no ser e na simplicidade de existir. Quem não enxerga a realidade social é cego para o quadro miserável de nosso país e de outras realidades em diversos países do mundo. Essas pessoas precisam apenas de um olhar humano, de alguém que acolha suas dores e afirme: "Você vai ficar bem."
Quem não doa seu alimento ao pobre, julgando-se também necessitado, é egoísta de coração, pois o meu alimento posso comprar com o pagamento seguinte. Quem garante qual será a próxima vez que esse ser humano poderá comer? A pobreza dói, a fome dói. E quem não tem a capacidade de se colocar nessa situação e ter uma visão diferente ainda não está preparado para essa jornada.
Não se trata de doar milhões para uma ONG, mas de olhar com carinho para aqueles que estão acostumados com os olhos frios do desprezo, de dar "bom dia" àqueles que nunca costumam ser notados, de sentar e ouvir uma história diferente da nossa realidade e entender que não, não estamos todos na mesma posição.
Como único ser humano, não se pode erradicar a fome, mas um olhar para a alma pode mudar a vida de alguém. Talvez esse alguém lembre de sua palavra amiga pelo resto da vida. Pequenos gestos importam. Seja gentil em todas as ocasiões — não apenas com os necessitados, mas com todos —, pois todos travam suas batalhas internas.
Em vez de ser mais uma pedra no caminho, seja a mão que se estende sem ver a quem.