ONDE PENDUREI MEU RISO
Da janela, vejo a diversão,
O clarão da era digital.
A evolução caminha apressada
E não tem pressa de acabar.
Da janela, vejo jovens
Vivendo seus antagonismos,
Dissecando experiências,
Devorando suas energias ferozmente.
Da janela, vejo o contraste social,
Rasgando a inocência do garoto raquítico,
Que tem sua dignidade ferida
Pelo valentão do bairro.
Da janela, vejo a pressa do amanhecer,
O resplandecer da aurora comprometido.
A poluição da grande metrópole
Surge como um véu.
Da janela, vejo o gato deslizando
Pelo telhado sujo, quente e fétido,
Sem se preocupar com esse cenário.
Colibri/2022