Nós Somos a Juventude da Nação!

Helena

Na pele, néctar e brasa, perfume e navalha,

a noite ruge em seu corpo sem falha.

Epicuro sussurra entre goles e lábios,

na dança de faunos, os céus são atalhos.

Cigarros, risadas, batom na ferida,

sorri no espelho, se pinta de vida.

Mas no fim da festa, entre restos e cinzas,

o espelho reflete apenas sombras líquidas.

Bernardo

Chão de concreto, passos vazios,

o eco arrasta seus olhos sombrios.

Nietzsche no peito, veneno na mente,

a noite o chama, a queda é urgente.

Entre postes quebrados e a lua esquecida,

o tempo o morde com dentes de lida.

Um salto, um suspiro, um grito sem som,

no asfalto se apaga a última visão.

Arthur

Pés nus sobre brasas mastigam o vento,

engolem o fel, digerem o tempo.

Sísifo sobe, arrasta a sina,

cada gota de suor: ouro e ruína.

Olhos de pedra, boca de aço,

cicatrizes falam — o mundo é um laço.

A febre é dolorida, mas não destruidora,

na guerra das emoções, se faz redentora.

E a mesma noite que os fracos destrói,

ele usa para fazer-se seu próprio herói.

Pedro

A carne grita, em soberba não se cala,

mas o espírito em Fogo não se abala.

A luz é espinho que fura os desejos,

a dor é martelo forjando os eleitos.

O vinho é sangue, os pregos são ouro,

a cruz é fardo e também é tesouro.

A sombra o chama para o festim,

mas a luz o fende, o parte em clarim.

O sangue verte, a alma se eleva,

a cruz pesa mais do que a terra que a leva.

Seu peito dilacerado pelo pecado,

mas na penitência acha-se consolado.

Pois é no sofrer que se purga o ser...

E, é na dor que o canto do santo irá ascender!