O cotidiano
Alto, alto, corpo, assalto!
Cala, cala, o tiro, a bala
Espere, espere, não se altere
Chão, pro chão, não tem perdão.
Preto, preto, esse é o defeito
Bosta pura, que não se atura
Deixa, deixa!!! Não olha, não mexa
Ave Maria, um preto? Sorria.
Negra fedida, vem cá ser comida
Eita, eita, um negro, se ajeita
Passa, passa, um preto, disfarça
Nossa senhora! Um negro, e agora ?
Corra, corra, polícia, não morra
O preto expressou, que nojo, que horror
Tim-tim, tim-tim, ao preto e seu fim
Cor, cor, a pele e a dor.
Daniel Oliveira
Poema feito oportunamente em um momento de protestos e lutas contra o racismo, que infelizmente ainda perdura no nosso meio. Nele procurei demonstrar expressões, frases, colocações de mau gosto e racistas que os negros enfrentam no seu cotidiano, além de lutas históricas contra a exclusão e desigualdade de oportunidades vividas por eles. Aqui faço votos de repúdio contra o racismo e contra qualquer colocação que configure discriminação.