CHUVA INCOMPREENSÍVEL EM SÃO PAULO

Em São Paulo, os sacos de lixo azul

juntam-se na porta dos edifícios.

Em São Paulo, as sobras amanhecem azuis.

Aqui é compreensível o entulho colorido,

pois há poucas cores e muitos artifícios.

Em São Paulo muitos cachorros

transitam pelas ruas.

Em São Paulo se recolhem vira-latas.

mas as ruas não acordam tão dóceis,

pois não se teme a raiva

apenas pela boca do cão.

Em São Paulo há um trânsito

que impede as saídas

Em São Paulo o excesso não se resolve

mas já se compreende:

o tráfico maior matinal

o tráfico do começo da noite

indica que todo caos

também precisa ser pontual.

Em São Paulo há muita chuva.

Chove na Cracolândia,

“Boca do lixo” é mais conhecida.

Em São Paulo não se compreende tal boca,

nem as janelas soturnas.

Não se sabe a hora dos cães,

não se conhece o fluxo dos vícios,

mas somente ali tudo é emergente

como uma chuva insistente.

DO LIVRO: "ADVERSO E OUTROS MOMENTOS"

Paulo Fontenelle de Araujo
Enviado por Paulo Fontenelle de Araujo em 09/10/2016
Reeditado em 30/11/2019
Código do texto: T5786421
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