Escravos

Era uma vez

Um lugar onde não era permitido sonhar

Onde havia uma presidente muito má

Que elevava a cultura pão e circo

E o povo a aplaudia

Como se fosse uma heroína.

Por causa dela agora

O feminino de “presidente”

Foi mudado para “presidenta”

Santa ignorância...

(Presidente é comum de dois

Sendo assim, não há alteração referente a gêneros).

Esta mesma senhora

A quem o povo conclama

Proclama em seus depoimentos

E discursos muito bem escritos

Que tirou cerca de 25 milhões de brasileiros da miséria

Mas isso é muito fácil

Desde que se mude os critérios de miséria

Como ela fez

(Muito inteligente, concordam?)

A heroína também diz

Que a população pobre

A classe trabalhista

Passou a ganhar mais e melhor

E que assim puderam sair da classe C

Pode até ser, senhora “presidenta”

Mas em compensação

Os juros altíssimos

E elevados lucros por parte dos setores privados

Garantiram o mesmo quadro de desigualdade social

Que a cada ano se alastra

E mais aumenta o precipício

Entre burguesia e classe trabalhista.

E os programas sociais

Que esta heroína apoia

Tem criado um senso de preguiça

E pura acomodação

Em 90% da população

Que ao invés de buscarem melhor qualidade de vida

Um emprego seguro, uma boa casa,

Contentam-se em receber uma miséria

Com o tal Bolsa-família

Que é mais ou menos um salário que a pessoa recebe

Por não gostar de trabalhar.

Mas o ápice dos atos heroicos

Da protagonista desta história

Foi trazer a belíssima Copa

Para um país sem nenhuma estruturação

Constrói estádios gigantescos

Que se tornarão obsoletos após o mundial

Bilhões são gastos nessa brincadeira de mau gosto

Sendo que tantos cidadãos estão morrendo

Por um sistema de saúde falido

E uma segurança precária

Com sistemas de locomoção que dão vergonha

Com uma educação que cada dia mais é subsidiado.

Mas o que mais me impressiona nessa historiazinha

É a população inteirinha se revoltar

Ir pra rua protestar contra

Queimando ônibus, fechando estradas,

Enfrentando a polícia

Sem ônibus, vocês vão andar de quê?

Fechando as estradas, quem é que vai sofrer?

Enfrentando a polícia, quem corre o risco

De levar um tiro e morrer?

Povo ignorante gera políticos corruptos

Que se aproveitam

Que crescem e se enriquecem

Juntam milhões

Enquanto o povo sofre

Enclausurado

Massificado por um sistema que cega

Que aprisiona e “emburrece”

Por um complô midiático que desinforma

Que alucina e formata as mentes.

Que cria escravos

Dos mais tristes

Aqueles que têm a liberdade mas

Escolhem permanecer presos

Só é uma pena

Que nunca sentirão o gostinho

Da liberdade...

Miah Witch
Enviado por Miah Witch em 22/05/2014
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