(imagem Google)

O Pescador Aprendeu Com O Poeta

Tece com as mãos a malha que o sustentará, espaçamentos precisos a ser lançado ao mar, a cada costura vislumbra o que será, mesmo tão incerto se o advir virá;

Remenda o casco cansado com o árduo labutar, chapéu de palha ameniza estonteante queimar, vela em riste anuncia mais um anseiar, a aurora adverte que é hora de pelejar;

A cada rede lançada renova-se o esperançar, será que a fartura, e toda a abundância que há, se enroscarão distraídas, abandonarão o seu lugar, trocarão suas vidas para outras perdurar;

Nas borbulhas indecisas mescladas ao vento sem lar, a fadiga extasia e remete ao retornar, junto aos lamentos de um dia com a avareza do mar;

Mas o pescador aprendeu com um poeta do lugar, que as letras que somem para mente irão voltar, com persistência astuta e talento no buscar, assim como os peixes que à malha hão de regressar, saltitando como as palavras amenizando qualquer penar, devolvendo atrasado sorriso e compensando o esforçar.


O Poeta do Deserto (Felipe Padilha de Freitas)
Enviado por O Poeta do Deserto (Felipe Padilha de Freitas) em 18/09/2010
Reeditado em 29/05/2012
Código do texto: T2504954
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