REVOAR DE UM POVO
REVOAR DE UM POVO
Já é março
Pássaros sobrevoam a praia
em busca de companhia
e as ondas em calmaria
espraiam na imensidão.
Horizonta-se sinais de gente
há navios em tão longe linha
desta posição só minha
vejo saudades também.
Os pássaros sobrevoam a praia
em busca de alimento
e as ondas neste momento
rufam qual tambores do mal
e para matar a fome ... dão sal.
Horizonta-se uma esperança
de melhor vida e companhia
e o voltar da calmaria
trará um novo alimento.
Com a força do pensamento
desse povo sofrido
revoarão novos bandos
em busca de fartos víveres...
Em busca de uma nação.
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Ensaio crítico sobre o poema "Revoar de um Povo", realizado pelo poeta Joaquim Moncks.
Estimado amigo Camponez Frota, poeta!
A peça remetida está muito hermética... As metáforas utilizadas só são compreensíveis para o autor do texto, tornando-o ininteligível (ou confuso) para o leitor comum. O uso das figuras de linguagem, principalmente as metáforas e as metonímias, servem para escancarar o sentido conotativo, mas não devem inibir a compreensão do mérito do poema. As metáforas são polivalentes, em Poesia, e na prosa, quase sempre apresentam-se univalentes. A diferença está na multiplicidade de sentidos, de profundidade no entendimento intelectivo e, por vezes, emocional, o que leva à comoção e à beleza estética. Mas a peça poética não pode ser imbricada...
Seria necessário abrí-la um pouco pro leitor entendê-la melhor, principalmente na segunda estrofe, na qual desponta o lírico-saudosista e resvala para a pessoalização, enquanto a totalidade dos versos sugerem a prevalência da temática social, de cunho eminentemente universalista, principalmente no verso final do pretendido poema.
O verbo HORIZONTAR não está dicionarizado, portanto não existe vernacularmente. O que existe, no idioma pátrio, é HORIZONTALIZAR: igualar(-se); nivelar (-se).
O autor pretende, talvez, um neologismo, ou seja, a criação de uma nova palavra, entronizando na língua um novo verbo, a partir da existência linguística do substantivo HORIZONTE. Porém, a tentativa de metaforizar não logra o resultado desejado, porque o verbo neologizado é precário no entendimento, pobre de imagens e de ritmo. Ainda mais acrescido da partícula SE, tornando-o pronominal.
Poesia da contemporaneidade é fundamentalmente RITMO, e o exemplar em estudo não apresenta a forma e o modelo clássicos, só podendo ser classificado no modelo de versificação da modernidade. Extirpado este, se foi uma das características mais importantes do próprio gênero literário. O modernismo rompeu com a rima, porém, não rompeu com o ritmo, porque este é da natureza do próprio gênero poético, em todo e qualquer período da civilização.
Temos aqui, mercê do hermetismo, no mérito, um "lírismo com a utilização de formas não liricas", como falou Merquior sobre a poesia de Carlos Drumond de Andrade, na década de setenta do século passado.
Abraços do poetinha JM.