Quarentena

Os dias se foram

Ficarão nas lembranças

Não sei se dará saudades

Há muito o tempo tirou a alegria

Sobraram as mesmas reclamações

Cada um segue na tentativa de salvar o dia

Mas o tempo passa e passou

Sem novidades

Sem atenção

Sem emoção

Sem paixão

Preso na fumaça

Os dias se foram

Tanta tecnologia

Pra não viver o que é bom

Clima de inverno aguardando um filme de amor com pipocas

Chuva fina esperando o aconchego do abraço

As horas se vão

Corpos cansados sem ânimo

Morrem na madrugada fria

Sem suor

Sem calor

Sem amor

A vida parou

Pois o tempo passou

Levou tudo que ainda restava

A vida tem dessas coisas

Acordar sentindo amor

Era uma esperança de dias melhores

Pra vida feliz

Mas a esperança o tempo desfez

Acordar virou mais um dia

De tudo outra vez

O que temos pra hoje

Mais um som

Mais um vídeo

Menos eu

Menos tu

Desculpa meu corpo cansado

Da mente exausta

Dos dias vazios

A intolerância venceu a guerra

Jogo minhas armas ao vento

A batalha me venceu

Minha fortaleza baixou a guarda

Entrego meus pontos

A estratégia agora é sobreviver

O que resta não sustenta duas almas

Nesse jogo sem vidas reservas

Reciprocidade alimenta

Atenção salva

E amor nos dá vida

Desculpa pelas falhas desse jogo

Nunca saberei jogar com sangue frio

Porque minha paixão é quente

Intensidade máxima

Desmedida

Ilimitada

Mas fogo no gelo arde

A tua chama nunca me pertenceu

A fogueira que aquecia o coração

Foi apagada pelo gelo da desatenção

A fumaça cobriu os olhos molhados

Agora tudo ficou cinza outra vez

E o coração petrificado.

Perla Alves
Enviado por Perla Alves em 29/04/2021
Código do texto: T7243844
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2021. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.