O andarilho

Mais um dia,

Um,

Entre tantos outros.

Despertadores alienados começam a tocar,

No desespero,

Não deseja que se atrase,

Pois de compromissos,

Depende vossa existência.

E a danada da rotina se apresenta,

Lavar o rosto,

Escovar os dentes,

Ou banho,

Tudo depende do cliente,

Que consome está lastimável senda.

Se alimenta acompanhado de telejornais,

Transmitindo a rotineira desgraça alheia,

Ônibus,

Trem,

Metrô,

Trânsito,

Um roubo de moto no Butantã,

E assassinato em alguma vila.

Segue para o trabalho,

A pé,

Ou em transporte coletivo,

Reza,

Em prece pede proteção para mais um dia,

Outro dia de exploração,

Se acertar,

Agradece ao patrão,

Quando erra,

Já sabe,

Sofre a temida punição.

Termina o expediente,

E na volta,

Pensa nas contas que deixou de pagar,

O atraso te cobra multas,

Taxas,

Juros,

Tudo para te preocupar.

Seu celular não para de tocar,

Cobranças de toda parte,

Pois a dádiva da vida é cara,

E seus benefícios,

Quase descartáveis,

Não foram feitos para durar.

Chegando em casa,

Outro turno

Tens a missão de pai, mãe,

Marido, mulher,

Não basta a sua cobrança sobre si,

Tem que escutar a de outros,

Que esperam sempre mais de ti.

Outro final de semana,

E não há dinheiro para aproveitar,

A diversão é em frente a TV,

Ou se abstraí,

Diante a tela,

De um celular.

Sente a falta de algo,

Um vazio,

Que necessita ser preenchido,

Mas não consegue identificar,

Chora,

Aos anjos pede ajuda,

E se há um Deus,

Suplica,

Implora,

Pede para si a loucura,

Pois deseja largar tudo

E partir,

Sem destino,

Nem bagagem carregar.

O andarilho que vive em ti,

Só deseja esquecer,

E caminhar.

Charles Alexandre
Enviado por Charles Alexandre em 25/03/2025
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