SOU O QUE SOU, GENTE
Hoje já não preciso de você,
aliás, nunca precisei.
Foi minha mente que ergueu muros,
tecendo correntes invisíveis,
esquecendo-se de ser.
Você era meu sim, meu não,
o caminho onde me perdia,
o mar que me tragava nos silêncios da solidão.
Acreditei que eu não existia,
que meu reflexo se fundia ao seu
num véu de rotina e entrega.
Você era o mundo que eu via,
até que minha alma, ajoelhada,
descobriu a força de ficar de pé.
E então as nuvens se abriram,
e o horizonte se fez novo,
revelando que éramos paralelos,
realidades que nunca se tocariam.
Carrego ainda fragmentos do que fui,
ecos suaves de um tempo que me moldou.
Mas agora sou eu, inteiro,
e por mais que sua presença tenha sido marco,
hoje sou o que sou.
Gente.
Tião Neiva