Sertão
O chão já tá rachando, o meu gado morreu agora
A seca vem chegando
As crianças estão chorando
A comida tá faltando
Meu ¨Sinhô¨ o que faço agora?
Quero embora pra cidade
Mas o dinheiro da passagem eu não recebo nem de esmola
Eu rogo ao Padre Cicero, eu peço com devoção pelo menos deixe vivo o meu pobre alazão
Esse cavalo bicho guerreiro junto de mim enfrentou cangaceiro pelos cantos do sertão
Esse sertão tá tão sofrido, minha “mulhé” fala meu marido o Joãzinho tá caído chorando de fome pedindo feijão
Mas o que faço “seu” doutor ? Comida não posso comprar, terra não tenho pra plantar e essa vida “nois” num vai aguentar
As criança logo vão parar de chorar, a “mulhé” num vai mais reclamá
E eu vou parar de lutar porque a morte num demora a chegar