De minha janela

Me aconchego em minha cadeira preferida,

De frente a janela,

De onde posso observar com clareza,

O que realmente é a vida.

Céu cinza,

Clima ameno,

Me perco na saudade,

Acompanhada da melancólica chuva,

Que devagar cai.

Ela não carrega o cheiro da minha outrora juventude,

Mas tem o clima ameno de outras primaveras,

A alegria de uma distante mocidade,

E a leveza,

Com a qual eu carregava a vida.

Nela,

Ouça as risadas de boas amizades,

Danço como o balanço de canções esquecidas,

Fecho os olhos,

E saio sem rumo,

Pelos caminhos traçados por minha lembrança.

Percorro a estrada do Rio,

Que as pedras vive a cortar,

Lembro-me,

Os contos de sereia,

Que o menino foi procurar,

Enfrentou batalhas sem perspectiva,

Ganhar ou perder não importava,

O que valia era lutar.

Porém o tempo cobrou pelas guerras perdidas,

Te fez velho,

E presenteou-o com as dores,

Para se lembrar,

Que o fim,

A qualquer momento,

Pode e virá te encontrar.

E se a morte chegar,

Será bem recebida,

Não esperada,

Mas bem vinda,

E levará o menino de volta ao seu lugar.

Charles Alexandre
Enviado por Charles Alexandre em 17/03/2025
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