De minha janela
Me aconchego em minha cadeira preferida,
De frente a janela,
De onde posso observar com clareza,
O que realmente é a vida.
Céu cinza,
Clima ameno,
Me perco na saudade,
Acompanhada da melancólica chuva,
Que devagar cai.
Ela não carrega o cheiro da minha outrora juventude,
Mas tem o clima ameno de outras primaveras,
A alegria de uma distante mocidade,
E a leveza,
Com a qual eu carregava a vida.
Nela,
Ouça as risadas de boas amizades,
Danço como o balanço de canções esquecidas,
Fecho os olhos,
E saio sem rumo,
Pelos caminhos traçados por minha lembrança.
Percorro a estrada do Rio,
Que as pedras vive a cortar,
Lembro-me,
Os contos de sereia,
Que o menino foi procurar,
Enfrentou batalhas sem perspectiva,
Ganhar ou perder não importava,
O que valia era lutar.
Porém o tempo cobrou pelas guerras perdidas,
Te fez velho,
E presenteou-o com as dores,
Para se lembrar,
Que o fim,
A qualquer momento,
Pode e virá te encontrar.
E se a morte chegar,
Será bem recebida,
Não esperada,
Mas bem vinda,
E levará o menino de volta ao seu lugar.