Ártico
Talvez sejamos tolos desfragmentados,
Tateando em código Morse ininteligíveis,
Comunicando signos trocados,
Tentando trazer o melhor que exista,
De remendos de almas magoadas,
Passos tortos nas bordas dos precipícios,
Que bambeiam nas ondas invisíveis,
Olhando para o céu negro,
Pergunto "Ao que pertencemos?",
"Apenas uma vez, me responda!"
Seguimos sem mapas ou bússolas,
Na busca pelo Graal que nos defina,
Da chave dourada que nos decodifique,
Do mistério dos algoritmos sem solução,
De programações não previsíveis,
Estamos perambulando sem rumo,
Fingindo saber para onde vamos,
Entre lágrimas e ilusões dramatizadas,
Quando é tudo deserto ártico,
Ausência de cor, sabor, vida,
Na frieza dos sentimentos internos,
A chuva congela a alma silenciosa,
Olho para além da muralha,
Pergunto "Ao que pertencemos?",
"Apenas uma vez me responda!"
Somos herdeiros das vãs inglórias,
Arautos de castelos de areia passados,
Desmoronando no abismo do orgulho,
Em um triste solo de piano à meia noite,
Na solidão de uma fortaleza nas montanhas...