ESPELHO
Te vejo reticentemente,
Silenciosamente,
Ante a TV.
E eu, novamente Maria,
Me vejo em você,
Na fisionomia,
Nas atitudes,
Nas inquietudes,
Do dia após dia,
Na sua poesia concreta,
Ao mesmo tempo,
Tão transcendente,
Me contemplo,
No templo,
Da sua impaciência,
Na urgência,
Com as coisas da vida,
Com a vida de incertezas,
Me vejo na batida,
Do seu coração,
Na ação,
Do enigmático amor,
Na eólica correnteza,
Que leva suas quimeras,
Na inútil espera
Por alguém que não vai voltar...
Me vejo na sua sinceridade,
Na sua reciprocidade,
Sua maneira de olhar,
Nas suas canções prediletas,
No simétrico teor,
Me vejo na sua indignação,
Quando é desrespeitada,
Não quer saber de nada,
Faz valer a mãe que é,
Me vejo nos seus minérios,
Sua Minas, montanhas, mistérios,
Na sua alma de menina,
Me vejo... e isso me fascina.
Só não me vejo na sua fé,
No seu espiritual empenho,
Com o supremo Criador,
Ah! Mãe, essa fé eu não tenho.
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Para minha mãe