Autópsia
Meu dente caiu de imaturo
Foi ontem enquanto aprendia
Aí veio outro ainda mais duro
Pirraceiro
Mordia minha língua o dia inteiro
Meu óculos quebrou em cacos
Durante a aula de filosofia
Impedido de copiar com olhos fracos
Inquieto
Assistia por ouvidos bem abertos
Meu peixe morreu ainda criança
Ração misturada com veneno
Pobre peixinho chamado Esperança
Desenganado
Pequeno, cabe numa lembrança
Abri e esqueci da entrada principal
Enquanto polia meu Adorado Quintal
Assalto violento à luz da solitude
Invadido
Brutal golpe furtivo na juventude
Vasculhei por todo canto existente
Como ser gente o suficiente
Até onde não me faltava
Humilhado
Mente que só enganava
Cimentei torto meu telhado
Não vi o desnível de nascença
Trabalho duro jogado no ralo
Ignorante
Crença batida, revestida de calo
Meu dente caiu de vivido
Hoje cedo durante o fim
Senti um vazio decisivo
Sereno
Assim me faço sentido
Ouço ao fundo minha sorte confirmada:
Declara Síndrome de Hiperautodidata
Atesta caída com ciência fatigada
Desmancho
Carimba falência da engenhoca de sucata