Cotidiana
Hoje saí para caminhar,
Sem pressa,
Apreciando apenas o momento.
Pássaros cantando,
O vento batia em meu rosto,
Leve,
Me acariciando.
Uma abelha,
Talvez distraída,
Longe de sua colmeia,
A procura de mel.
Nuvens,
Sempre perdidas,
Ofuscavam o brilho do sol,
Dando Contornos,
Ao azul do céu.
Pessoas,
Indo e vindo,
A caminho da sua rotina matinal,
Focadas em chegarem ao destino,
Algumas presas a celulares,
Buscando estar presentes em todos os lugares,
Mas ausentes,
No momento presente.
Crianças correndo para chegar à escola,
Antes do fechamento dos portões,
Carros conduzidos por pessoas com alta carga de estresse,
Buzinando para que outros,
Cordialmente,
Ou obrigatoriamente,
Cedam passagem.
O futuro é daqui a pouco,
Tanto a fazer,
Distrações que desagradam,
Essa tão pobre vida,
Que faz a pressa determinar o limite do hoje,
Fabricando passados inglórios,
Em um presente reativo.
Queria eu que o tempo passasse por mim como uma pluma,
Leve,
Sem destino redigido,
Escrito,
Ou encenado,
Apreciando o ir e vir deste belo cenário,
E descobrir que a vida se encontra,
Justamente naquilo que abandonamos,
Deixamos de lado.