Anátema

Meus pés atolados em lama,

Luto por mais um passo,

Tento não me abater.

Meu corpo faz um tremendo esforço,

Para manter-me em pé,

Minh’alma procura ajuda,

Se apega,

Ao que resta da tão abalável fé.

Minha mente,

Em orações repetitivas,

Entoa rezas como um mantra,

Buscando conexão com um consciente supremo,

Coletivo,

Mas o inconsciente,

Se apresenta,

Como em um jogo,

De perde/ganha.

Ser positivo é um desafio,

Para quem tanto apanha,

A loucura da guerra nos faz esquecer,

De detalhes,

Coisas que o tempo esconde,

Guarda,

E depois se apresenta da mais pervertida forma,

Imprudente e leviana.

Sigo,

Pois não tenho outra opção,

Perseguindo coisas,

Todas sem sentido,

Para gozar de um pulsar acelerado,

Embrenhado-me na maldita ilusão.

Pergunto-me:

Até quando suportarei essa maldição?

Sou herança de meus demônios,

E herdeiro de tudo que recriminei,

Das histórias de herois,

Que seguiram sua habitual rotina,

Sem maiores pretensões,

Dos loucos,

Tão recriminados,

Que apavoram o imaginário humano,

Com sua liberdade delinquente,

Dos ébrios,

Que esquecem frustrações,

E apreciam suas felicidades em goles,

Dos andarilhos,

Que buscam e vivenciam o novo,

E pedem apenas para ajudar a Deus,

Identificando aqueles de bom coração.

Charles Alexandre
Enviado por Charles Alexandre em 21/02/2025
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