Anátema
Meus pés atolados em lama,
Luto por mais um passo,
Tento não me abater.
Meu corpo faz um tremendo esforço,
Para manter-me em pé,
Minh’alma procura ajuda,
Se apega,
Ao que resta da tão abalável fé.
Minha mente,
Em orações repetitivas,
Entoa rezas como um mantra,
Buscando conexão com um consciente supremo,
Coletivo,
Mas o inconsciente,
Se apresenta,
Como em um jogo,
De perde/ganha.
Ser positivo é um desafio,
Para quem tanto apanha,
A loucura da guerra nos faz esquecer,
De detalhes,
Coisas que o tempo esconde,
Guarda,
E depois se apresenta da mais pervertida forma,
Imprudente e leviana.
Sigo,
Pois não tenho outra opção,
Perseguindo coisas,
Todas sem sentido,
Para gozar de um pulsar acelerado,
Embrenhado-me na maldita ilusão.
Pergunto-me:
Até quando suportarei essa maldição?
Sou herança de meus demônios,
E herdeiro de tudo que recriminei,
Das histórias de herois,
Que seguiram sua habitual rotina,
Sem maiores pretensões,
Dos loucos,
Tão recriminados,
Que apavoram o imaginário humano,
Com sua liberdade delinquente,
Dos ébrios,
Que esquecem frustrações,
E apreciam suas felicidades em goles,
Dos andarilhos,
Que buscam e vivenciam o novo,
E pedem apenas para ajudar a Deus,
Identificando aqueles de bom coração.