Eu, exageradamente eu.
Olá!
Desculpa não ter aparecido,
São tantas coisas na minha mente,
Filhos, dinheiro, saúde,
E a guerra contra o vício,
Que me afastaram daqui,
E me aproxima do precipício.
Tenho pressa,
Faço força para afastar a depressão,
Tem dias que ela vence,
Outros me imponho,
Vivo em constante tribulação.
Não tenho muitos amigos,
Poucos,
Bem poucos,
Talvez até consigo contar em apenas uma das mãos,
Tento todos os dias me reinventar,
Para esquecer tal frustração.
Um quase pedinte,
Pode até estar pensando,
Isso não é nada iminente!
Mas quando o cérebro acelera,
Necessito de fumaça,
No pulmão,
Com a falta,
Não há oferta,
Peço um cigarro,
Com profunda vergonha,
Para desacelerar meu coração.
Um coletor de palavras,
Recolho-as talvez buscando me entender,
Complexo,
Perplexo,
Reflexo,
Talvez seja a imagem do espelho,
Que tanto quero compreender.
Uso de artimanhas para me entreter,
Me perco entre as cartas de um velho baralho,
Invento situações,
Que nem todos não podem crer,
Caminho,
Com minhas orações,
Não peço a Deus por mim,
Geralmente é por você.
Carregou comigo um primeiro amor,
Moça linda,
Bela,
Quase sereia,
Que mora no interior,
Que me faz recordar de um tempo que fui feliz,
E por ela,
Ainda,
Consigo cantar.
Sofro com a incoerência da sociedade,
Também sofro,
De uma doença grave,
Sofro com a fome de um irmão,
Sofro com as perdas,
Em toda situação.
Choro com filmes,
Vídeos,
Choro quando toca meu coração,
Choro por Jesus em minha vida,
Choro,
Por não sentir a comunhão.
Talvez seja apenas um ser humano em excesso,
Ou talvez,
Vítima da própria alienação.