Planos

Passei noites em claro,

Pensando no que fazer,

Para fugir dessa angústia,

Que insiste em reaparecer.

Criei normas e regras,

E busco o plano exercer,

Querendo um caminho exato,

Para nele,

Não me perder.

Bússola não faz mais sentido,

Quando a estrada atordoa,

Ao norte vi precipício,

Ao sul,

Beira de abismo,

De leste a oeste,

Paredes,

O chão,

Que resiste aos passos,

No céu,

Há penas,

Apenas,

Asas,

De todos os seres que voam.

Meu dinheiro é limitado,

E ele,

Me escravizou,

Escrevo prosas e versos,

Em troca de alguns trocados,

Mas do reverso ao avesso,

Me sinto envenenado,

Para expelir o veneno,

Uso papel e caneta,

E essa fuga da morte,

Me deixa endividado.

Um falso arrimo de família,

Onde,

A mãe é dona casa,

Pai que vive a trabalho,

E o filho,

É só tristeza,

Tanto esforço se faz,

Pra ter comida na mesa,

E nas noites o sono não vem,

E expõe as suas fraquezas.

Chora pela morte do ser,

Pelo distanciamento do prazer,

Desejos,

Velados em cortejo,

E aos céus,

Velas acesas.

Para!

Tá tudo errado.

Quero um pedaço de chão,

Me enterre direto à terra,

Pois eu dispenso o caixão,

Não quero flores,

Nem velas,

Plantem o meu coração,

Para que brote algum fruto,

Talvez em morte,

No luto,

Consiga gerar riquezas.

Charles Alexandre
Enviado por Charles Alexandre em 28/04/2024
Reeditado em 28/04/2024
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