VAMOS FINGIR QUE O MUNDO EXISTE

De pés descalços

Pela areia úmida andamos

Me dê tua mão

Ponho-me a te beijar

Os ruídos são apenas do mar

O marulhar distante

O ronco do gigante

Não nos atordoa

As montanhas reluzentes

Tremulante umbrela da palmeira

O vagalhão nos envolve

A brisa sopra acarinhante

Mar bravio

Obstinado desejo do amor

Momento bom de amar

De ouvir a suave voz

De tocar tuas ilhargas

Para sentir a singeleza

Da verdejante montanha

Do sol que me aquece todo

Do rio que aqui deságua

E não traz qualquer mácula

Apenas amontoa dunas

Que vão servir de folguedo

De deitar, depois rolar

Ah, onda branca que transporta

Uma lembrança de longe

E aqui no quebramar

Silenta feito bebê

No colo da mãe a dormitar

Da vontade de não morrer

Fingir que o mundo existe

Num eterno vaguear.

-Nestes dias de clausura abraçamos, sem receio, a poesia...

Joel de Sá
Enviado por Joel de Sá em 29/03/2020
Código do texto: T6900344
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