Poço
Hoje, meu peito dói,
Meus olhos tornaram-se cachoeiras
E suas águas estão me afogando...
Imersa na minha própria dor,
Nem consigo respirar,
Longe do ar, do sol, da luz...
Encontro-me na escuridão dos meus medos,
Atrás dos quais eu me escondo
E me exilo da vida...
Apesar da solidão e da tristeza,
Parece mais confortável aqui,
Não preciso lutar...
Mas é um conforto ilusório.
Cada medo é um tijolo
E, aos poucos,
Construí muros altos ao meu redor.
Mal percebia eu
Que, de tijolo em tijolo,
De medo em medo,
Construí um poço,
No fundo do qual estou
E agora, não consigo sair...