O dono do Apto 103
Um homem, a mãos nuas,
Caminhando pelas ruas.
Ele olha para os lados,
E os carros estão parados.
Ele corre pela faixa,
Enquanto carrega uma caixa.
Ele tropeça, mas não a derruba,
E o vento bagunça a sua juba.
Do outro lado da rua, ela o espera,
Com cara pálida e voz áspera.
O segue até sua casa,
E o vê acendendo uma brasa.
O homem nem sequer notou sua presença.
Talvez o que lhe falte seja um pouco mais de crença...
Quem sabe, falta-lhe a inocência de criança,
Ou seu coração anda apenas sem esperança.
Ele sobe ao seu apartamento,
Abre uma lata, entoando seu lamento.
Ela observa tudo de perto,
Mesmo que seu hóspede esteja desperto.
Ele adormeceu no sofá,
Enquanto assistia a um show do Bonfá.
Ela se aconchega em seu amado,
Mesmo já tendo passado para o outro lado.