Café frio
De olhos fechados
Aa vezes eu vejo os laços e correntes
As licões e arrependimentos de uma jornada em bando
Quando a banda para de tocar
O silêncio pairando no ar
Mãos se cruzam com fervor
O medo da solidão
Mesmo estando só
Andando em círculos
Desantando os nós de uma vida comum
De braços abertos não digo nada
Vejo sempre discussões e desertos
Sementes de abjetos
Horizontes microscópicos
Diante do óbvio
A indiferença reina
Como um rei mal coroado
Que continua sem ser amado
O café amargo não tira o sabor dessa desilusão
Mãos nos bolsos
Mãos na cabeça!
Cada dia nos tiram algo
Lá se vai mais uma certeza
Algo ingênuo que ficou pelo caminho
Sigo sozinho
Como um pássaro em bando
Enquanto a banda toca mais uma canção
Cantamos juntos
Disfarçamos a solidão
E isso é o que nos resta
A mesma estação tão conhecida
Um porto chamado solidão