Café frio

De olhos fechados

Aa vezes eu vejo os laços e correntes

As licões e arrependimentos de uma jornada em bando

Quando a banda para de tocar

O silêncio pairando no ar

Mãos se cruzam com fervor

O medo da solidão

Mesmo estando só

Andando em círculos

Desantando os nós de uma vida comum

De braços abertos não digo nada

Vejo sempre discussões e desertos

Sementes de abjetos

Horizontes microscópicos

Diante do óbvio

A indiferença reina

Como um rei mal coroado

Que continua sem ser amado

O café amargo não tira o sabor dessa desilusão

Mãos nos bolsos

Mãos na cabeça!

Cada dia nos tiram algo

Lá se vai mais uma certeza

Algo ingênuo que ficou pelo caminho

Sigo sozinho

Como um pássaro em bando

Enquanto a banda toca mais uma canção

Cantamos juntos

Disfarçamos a solidão

E isso é o que nos resta

A mesma estação tão conhecida

Um porto chamado solidão

Marcos Frank
Enviado por Marcos Frank em 17/03/2025
Reeditado em 18/03/2025
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