Eco da Solidão
A solidão é um rio sem margem,
Que corre silenciosa, sem direção,
No fundo, as águas guardam a imagem
De um rosto perdido, em busca de razão.
É um quarto vazio onde o eco chama,
Onde a alma se veste de sombra e espera,
E cada passo, que ao longe reclama,
Soa como uma nota que a noite enterra.
O tempo é um amigo que se afasta,
A cada segundo, mais distante se faz,
E o silêncio, como gelo, me abraça,
Enquanto o coração ainda busca paz.
Mas há beleza no vazio profundo,
Na quietude onde o ser se refaz,
Pois na solidão, que é o próprio mundo,
Descubro quem sou, sem pressa, sem paz.
E mesmo na dor de estar sozinho,
Há uma força que o peito acende,
Pois a solidão, com seu caminho,
Ensina a viver, e a se entender.