TRANSITÓRIO
Na penumbra um suspiro
Renitente, talvez receio, talvez sede
Pesa nos ombros
Tamanhos escombros
Desejos, memórias, azares e medos
Nas entranhas um tanto de morte no horizonte
Gotejamento nessa passagem de mim por mim mesma
Crescente causa e consequência, euforia e extasia
Os restos de mim me sobram como testemunhas
No que em um tempo cronológico se perde
Na imagética se repete e recria, caso se queira
Quereres, ah, quereres
Passeei por mim, transeunte, sem cartografias
Passei pelas tantas que fui e as que nunca serei, tenho saudade.
[Sendo assim, essa dubiedade
Existindo para tornar-se, em alguém, saudade.