Madrugada
A madrugada chega, fria e sem cor,
Um manto de silêncio que dói, que esmaga.
O relógio caminha, lento, sem pressa,
Enquanto a alma chora, em sombras que dançam.
O vento sussurra segredos gelados,
Histórias de ausências, de amores passados.
As estrelas, tímidas, se escondem no céu,
Como se soubessem da dor que eu trago no véu.
Choro. Sem razão, sem destino, sem fim,
As lágrimas caem, e eu sigo assim.
Rezo baixinho, num murmúrio sem voz,
Para que o dia amanheça e traga a luz.
"Venha, sol, aqueça esta noite sem fim,
Dissipe a escuridão que invade por mim.
Traga o calor, o alento, o renascer,
Para que eu possa, enfim, recomeçar a viver."
Mas a madrugada insiste, dolorosa e cruel,
Um abraço que aperta, um pesadelo fiel.
E eu, entre lágrimas e preces, espero,
O primeiro raio de sol, o despertar do universo inteiro.
Porque a noite é longa, mas não é eterna,
E a dor, por mais forte, não é uma sentença.
Amanhecerá. Sempre amanhece.
E a luz, mesmo tímida, nos acolhe e nos aquece.
Então, na madrugada silenciosa e fria,
Entre lágrimas, preces e melancolia,
Eu guardo a esperança, frágil e verdadeira,
De que o sol virá... e com ele, a vida inteira.