Lobo

Na claridade do dia de outros

No côncavo da rocha - caverna profunda

Encolhido num canto, sozinho

Formando uma concha, seu corpo cinzento,

Longe dos olhares curiosos

Das mentes insanas

Das armadilhas sutis

Da ação rotativa,

O cão selvagem

Na escuridão da noite de outros

Completamente desperto, renovado, viril

Num caminho sem trilha a subir

Respira profundamente

E, dali, do seu lugar secreto

Longe dos olhares curiosos

Das paredes infernais e tetos frios

Vê-se em outra caverna

Um pouco mais arejada

Ilusoriamente convexa

Sob um teto mais alto.

Qual flauta transversa caída num canto

Tocada pelas mãos do tempo

Quando beijada pelo vento

A árvore oca, vazia

Arrebata o distraído

Do caminho das possibilidades

Para a sublimidade do encontro

Lorena Lira
Enviado por Lorena Lira em 21/02/2025
Código do texto: T8269366
Classificação de conteúdo: seguro