Lobo
Na claridade do dia de outros
No côncavo da rocha - caverna profunda
Encolhido num canto, sozinho
Formando uma concha, seu corpo cinzento,
Longe dos olhares curiosos
Das mentes insanas
Das armadilhas sutis
Da ação rotativa,
O cão selvagem
Na escuridão da noite de outros
Completamente desperto, renovado, viril
Num caminho sem trilha a subir
Respira profundamente
E, dali, do seu lugar secreto
Longe dos olhares curiosos
Das paredes infernais e tetos frios
Vê-se em outra caverna
Um pouco mais arejada
Ilusoriamente convexa
Sob um teto mais alto.
Qual flauta transversa caída num canto
Tocada pelas mãos do tempo
Quando beijada pelo vento
A árvore oca, vazia
Arrebata o distraído
Do caminho das possibilidades
Para a sublimidade do encontro