Quem Me Dera, Mãe
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Mãe… ah, mãe, quem me dera se estivesses aqui. Quem me dera se os teus passos ainda ecoassem nesta casa, se a tua voz ainda me chamasse pelo nome, se as tuas mãos ainda pudessem pousar sobre mim, mesmo que fosse para um puxão de orelha. Quem me dera…
A saudade é um peso que carrego no peito, um nó que não desata, um vazio que nada preenche. Ela dói, mãe, e como dói! Dói na alma, dói nos ossos, dói no silêncio das madrugadas em que acordo, quase ouvindo a tua voz a chamar-me para regar a tua pequena quinta. Antes, eu pensava que era castigo. Eu resmungava, arrastava os pés, sonhava com o momento de voltar para a cama. Mas agora, mãe… agora eu entendo. Aquilo não era castigo, era amor disfarçado de disciplina. Era educação.
As tuas bofetadas, os chinelos que encontravam minhas costas, os puxões de orelha… eu daria tudo para senti-los mais uma vez. Dar-me-ia a alma, o corpo, o tempo que me resta, só para ver-te, nem que fosse por um segundo. Nem que fosse numa sombra passageira, num sonho fugaz, num reflexo na água. Quem me dera…
Agora, caminho sozinho por onde antes andávamos juntos. Sento-me onde antes sentavas. Respiro o mesmo ar, mas ele não tem mais o cheiro do teu perfume. O mundo seguiu, mãe, como se a tua ausência fosse apenas uma folha levada pelo vento. Mas para mim… para mim, tu és um grito preso na garganta, uma lágrima que nunca seca, uma ausência que nunca se apaga.
Quem me dera se estivesses cá. Quem me dera se o tempo tivesse piedade e me devolvesse nem que fosse um instante contigo. Quem me dera…
Teu filho que te ama,
Victor Liatunga