Imensidão Triste da Vida
Tarde de verão.
Uma brisa leve entra
pela janela frontal
de meus esquecimentos.
Surge, então,
as palavras
as frases
conexos e nexos
e afins
e o canto retilíneo
que brota no verso;
reconexão
e exatidão de minha existência.
O sopro da vida, revivida, lúgubre
enaltecido pela loucura das palavras
retiradas de livros que construíram guerras
inimigos
flagelados da história.
O sereno alimento da alma
onde a poesia cravejada de luzes
consome o homem e o ser pacífico.
As estações passam
os dias passam
as folhas das copas das árvores oscilam
e o aroma do verde passa
pelas narinas pueris que aspiram
o vento agreste fulminante de uma paixão.
Aqui jaz o poeta
que teve medo e que morreu
e queria ser eterno
como o verão e a primavera
como o outono e o inverno
como o tempo
e a imensidão triste dessa vida.