Cores Neutras (Resposta de Cores)
Eu me encontrei no seio da escuridão,
Perdida, mostrei-me à solidão.
Sentada na janela, via luzes amarelas,
Agora apagadas pelas vielas.
Deixei minha alma perecer
Como a noite que veio a descer.
Na manhã seguinte, o vazio me chamou,
E eu, chorosa, ali fiquei e me entreguei.
Agora tudo se tornou um breu,
Meu corpo deixou de ser meu.
Lágrimas correm como rio pelo chão,
Catando espinhos do meu coração.
Agora tudo veste o cinza,
Rodeada por arestas ranzinzas.
Desenho minha dor com fervor,
Num profundo e amargo desamor,
Guardado numa flor sem cor.
Recolhi-me no meu canto,
Olhei para as lâmpadas do teto.
Todas brancas, frias e retas,
Ecoando meu vazio completo.
Como cenas de filmes gelados,
O medo em mim se fazia amplificado.
A tristeza cantava um tom menor,
E eu, só, temia o próprio sol.
Agora tudo perdeu vida e cor,
Histórias que não desafiam o amor.
Lágrimas de cimento pavimentam meu caminho,
Corredores solitários onde ando sozinho.
Agora tudo está congelado,
Meu ser, completamente desarmado.
Rabisco dores com um velho lápis,
Lembranças que ficaram lá trás,
Minhas aventuras invisíveis e fugazes.
O roxo me mostrou o fim da estrada,
E o marrom tirou minha fachada.
O preto virou meu fiel guia,
Enquanto o vinho em meu sangue corria.
Agora, cores neutras preenchem meu ser,
Fantasias secas que não sabem viver.
Estou desarmada frente à ausência,
Que roubou-me a inocência.
As estrelas já não brilham lá no ar,
Desenhos se apagam sem parar.
E eu, na solidão, tento recomeçar,
Refazendo meu chão, meu lar,
Com um novo coração a pulsar.