Fugir de mim

Se pudesse, sumiria sem aviso,

pra bem longe, sem nenhum vestígio.

Talvez Marte, num céu sem poeira,

onde o silêncio acalma a cabeça inteira.

Ou quem sabe no fundo do mar,

pescando estrelas que sabem brilhar.

Ser só um vulto entre ondas e espuma,

onde o tempo não pesa, nem culpa consuma.

Talvez um portal pra outra dimensão,

onde ninguém me espera, nem pede razão.

Ser só um sopro, um som sem ruído,

onde o mundo não julga e o peito é abrigo.

Se pudesse, partiria agora,

antes que a vida me leve embora.

Mas fecho os olhos e entendo, enfim:

não há pra onde fugir, se o que pesa é em mim.