Solidão
A minha paixão pela solidão já virou uma doença crônica, aguda. Não há mais cura.
I
Um dia ela volta
E passo horas a esperar
A dama dos meus sonhos
A mão que me acalma
Com outro — não quero estar.
Pois ela, a solidão,
Que chega como num sonho
Material sutil e fantasmagórico
Cujo ar me estasia
Quem seria ela?
Misteriosa cor violeta
Que me deita em seu colo
E me beija boas noites?
Ah, você de novo, princesa,
Amiga da minha infância
Só eu e ela, outra vez,
Vem a solidão como antes.
II
A solidão é uma amiga para todos os dias
Ela, que pega minha mão para dormir-me
Ela, materna amiga do meu coração.
Quero ela para sempre
Pois os dias sem ela são tediosos
Pois só ela sabe os meus caprichos
E só ela é quem confio.
Ah, olhos, faces, seres completos
Deixe para depois!
Ou para nenhuma hora, pois,
Veja lá que ela chega! Que saudades,
Da solidão feita em amante que fica.
A solidão é a única possível religião que eu possa ter. Ser sozinho equivale a brincar de Deus.