Solidão

A minha paixão pela solidão já virou uma doença crônica, aguda. Não há mais cura.

I

Um dia ela volta

E passo horas a esperar

A dama dos meus sonhos

A mão que me acalma

Com outro — não quero estar.

Pois ela, a solidão,

Que chega como num sonho

Material sutil e fantasmagórico

Cujo ar me estasia

Quem seria ela?

Misteriosa cor violeta

Que me deita em seu colo

E me beija boas noites?

Ah, você de novo, princesa,

Amiga da minha infância

Só eu e ela, outra vez,

Vem a solidão como antes.

II

A solidão é uma amiga para todos os dias

Ela, que pega minha mão para dormir-me

Ela, materna amiga do meu coração.

Quero ela para sempre

Pois os dias sem ela são tediosos

Pois só ela sabe os meus caprichos

E só ela é quem confio.

Ah, olhos, faces, seres completos

Deixe para depois!

Ou para nenhuma hora, pois,

Veja lá que ela chega! Que saudades,

Da solidão feita em amante que fica.

A solidão é a única possível religião que eu possa ter. Ser sozinho equivale a brincar de Deus.

Pasquali
Enviado por Pasquali em 01/02/2025
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