Em branco no preto.
Fim da noite iluminada.
Breu das trevas silenciosas.
Lágrimas desidratadas mancham a face.
O morcego caça impiedosamente.
Seus voos rasantes e certeiros
Surpreende a presa.

A presa velha e fraca
Ou um filhote moribundo.
Morrer é sempre peculiar das presas.
E matar é próprio dos predadores.

Não há corpo sem alma
Não há vento sem liberdade
Não há tempo para impunidades.
Não há acaso e nem dispersões.

Meu olhar míope
passageiro
percorre a paisagem
solertemente
Detalhes borrados.
Perímetros estimados.


Há uma confissão solene.
Do branco da luz para o escuro da íris.
Nem tudo é bicolor.
Nem tudo é bipolar.
Nem tudo é bípede
ou feito em pares.

A poesia é ímpar.
A poesia é solitária.
Escarnece sua existência
num último momento fugidio.

 
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 14/09/2020
Reeditado em 14/09/2020
Código do texto: T7063136
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