Se fizeram poemas

Inesgotável...
o jorro cristalino que brota da fonte
dando amor a rocha, descansando na terra,
banhando os pés, saciando a sede do caminhante.
Inesgotável...
o brilho, calor, sol,
alimentando a vida, dourando o corpo moreno
inesgotável de prazeres.
Solto as plumas rendosas das mãos
nas carícias mais vertiginosas.
Inesgotáveis danças preambulares
ante o amor, selada a alcova,
redoma decorada pelos anseios,
afeto dos desejos,
auspiciosas aos ensejos.
Inesgotável...
buscar pelos cúmplices,
a metade dividida para compor,
emitir sons pelo espaço
na sinfonia inesgotável do amor.
Inesgotável...
a saudade, quando os corpos se negam,
mas os pensamentos se procuram
na viagem minuciosa ao passado.
Inesgotáveis são os vocábulos
enlaçados nos poemas,
clamando na inesgotável solidão,
pelo caminho de volta,
o retorno ao berço amado
nas luzes opacas da cidade,
contemplando a madrugada se esgotar.
Inesgotável é a presença da vida,
sem uma simples razão para se viver.