ARQUITETO

Minha fé é fraca

Não foi edificada pela raíz indestrutível dos santos

Regada pelo sangue de suas chagas.

Minha fé é fraca

O arquiteto dela não conseguiu fincá-la.

Minha fé é como um castelo de areia

Ao primeiro vento se desfaz

Minha fé é como o sal da água

Que as ondas jogam e traz.

Minha fé é como conchas velhas sem pérolas

Um ovo podre

Um prego já enferrujado.

Digo que a tenho,

De fato está comigo.

Ela nunca se vai

É minúscula, as vezes se ergue e cresce

Um gigante fraco que no primeiro soco se retrai.

Digo que a tenho,

Ela sempre está comigo.

Aquece meu coração nos planos da madrugada que não se concretizam pela manhã.

É a semente que nunca floresce

Na verdade é uma árvore putrefata.

Minha fé é em deuses e capacidades extraordinárias

Minha fé não gosta do vazio

Mas é o vazio que encontro quando ela quase morre

Sem morrer

E sem respirar.

Minha fé é um Frankenstein de ideais roubados

Em Deus Pai e no Espírito Santo

Nos alienígenas do lado escuro da lua

Da alma que nunca perece.

Minha fé é um Frankenstein mantido em pé pela teimosia

Fraco

Desiludido.

A minha fé é fraca, não precisa muito para derrubá-la

O arquiteto não conseguiu mantê-la,

No primeiro vendo se esvai.

Então ele constrói outra porque areia nunca acaba

Nem as conchas que o mar cospe.

De novo de novo ele ergue essa fé

Sabendo que ela não frutificará.

Ele a ergue e deixa aquecer seu coração

Iludindo, insistindo que não há solidão

Esse arquiteto maldito

Que sou eu

Por não ter fé.

James Ravencliffe
Enviado por James Ravencliffe em 25/06/2020
Código do texto: T6987774
Classificação de conteúdo: seguro