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OUTONO

Estava intacta.
Roubava esse império de passos largos,
folhas amargas.
Há estrelas que amam a visibilidade dos olhos nus...
Meus olhos... sempre mareados,
Melancolizavam o céu e o silêncio que abafa minha fala.
Nunca fui a luz daquele que tanto amava,
Dessas verdades num colóquio -
Sempre sou a morte destilada em significante, significados...
Sou o mormaço que anuncia o vagaroso dia;
Das almas benditas, amadas,
Fui predestinada a ser - dessas oceânicas,
Almas vagantes, solitárias...
Minguar um Deus presente,
Desflorido em surdinas Carmelitas,
Lá... deixei, talvez, n' outra vida,
Esse coração minguante,
Cheio de feridas.
Perdoa-me a incapacidade de não ter sido aquela coroa de rosas,
Todavia, aprendi com os espinhos:
"O céu não foi feito para mim"
Da alma ungida pela dor
Brotaram oceanos,
E por amor à rosa,
Sou essas esquecidas pétalas;
Esperando um momento de fuga para cair em outono.
Dylla Vicente
Enviado por Dylla Vicente em 13/11/2019
Reeditado em 14/11/2019
Código do texto: T6794295
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Dylla Vicente
São Paulo - São Paulo - Brasil, 28 anos
52 textos (2255 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 13/12/19 20:04)
Dylla Vicente