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OUTONO

Estava intacta.
Roubava esse império de passos largos,
folhas amargas.
Há estrelas que amam a visibilidade dos olhos nus...
Meus olhos... sempre mareados,
Melancolizavam o céu e o silêncio
que ainda abafa minha fala.
Nunca fui a luz daquele que tanto amava,
dessas verdades em colóquio:
sempre sou a morte
destilada em significante, significados...
Sou o mormaço que anuncia o vagaroso dia:
das almas benditas, amadas,
fui predestinada a ser - dessas oceânicas,
almas vagantes, solitárias -
minguar um Deus presente,
desflorido em surdinas Carmelitas;
Lá... deixei, n' outra vida,
esse coração minguante,
cheio de feridas.
Perdoa-me a incapacidade
de não ter sido aquela coroa de rosas,
todavia, aprendi com os espinhos:
"O céu não foi feito para mim",
dessa alma ungida pela dor
brotaram oceanos,
e por amor à rosa,
sou essas esquecidas pétalas:
esperando um momento de fuga
para cair em Outono.
Dylla Vicente
Enviado por Dylla Vicente em 13/11/2019
Reeditado em 12/01/2020
Código do texto: T6794295
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Dylla Vicente
São Paulo - São Paulo - Brasil, 29 anos
40 textos (2107 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 28/09/20 18:22)
Dylla Vicente