NUDEZ

na rua não havia nada

só a imensa extensão da avenida

na rua não havia nada

nem carro parado

na rua não havia nada

as crianças desapareceram

na rua não havia nada

nenhum transeunte

na rua não havia nada

portas e portões fechados

na rua não havia nada

nem os fantasmas e bruxas se davam ao luxo

só os postes enfileirados sustentando holofotes

que denunciavam a nudez crua da realidade

-espantavam com minha audácia de testemunhar este espetáculo.

L.L. Bcena, 20/09/2004

POEMA 357 – CADERNO: CESTA DE VIME.

Leonardo Lisbôa
Enviado por Leonardo Lisbôa em 10/08/2011
Reeditado em 10/08/2011
Código do texto: T3151939
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