FODA-SE

E quanto a nós, que deixamos de jogar, pelo medo de perder, que não ousamos nos apaixonar pelo medo de sofrer, que nos recusamos a encontrar, na certeza da partida, que nos contentamos em sermos nós mesmos, todo santo dia, com o medo de errar...

Sempre os mesmos dias, as mesmas ruas, as mesmas esquinas, as mesmas sombras... Percorrer o mesmo caminho todos os dias e vivenciar os mesmos sentimentos em todos os instantes dessa nossa “vida”.

E afinal o que haveria de diferente em passar por ruas diferentes, experimentar novos sentimentos e olhar para outras ruas? Sinceramente eu não sei, mas a sensação de ter feito diferente me atrai e trai o sentimento amarrotado, puído e sem cores de viver a mesma vida todo santo dia.

Não importa qual seja a diferença, mas sim que exista uma diferença entre o que é e o que poderia ser, e mesmo que não haja, será um ganho enorme mudar os rumos de tudo só para ver onde vai dar, pois onde dava eu já sabia, e por melhor que fosse, sempre era...

Talvez seja a sensação de mudar de restaurante e de prato uma vez e perceber que perdemos muito tempo dialogando com o cotidiano conhecido, mas extremamente desgastado de nossos dias. Mas e o medo?... Foda-se o medo.