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Poemas da Amanda Oliveira, Poeta Divinopolitanas recente... De: "Amanda Oliveira" <amandartmbop@gmail.com>

Amizade e carinho estão no nosso projeto divino...
J B PEREIRA

__________

POEMAS de "Amanda Oliveira"

<amandartmbop@gmail.com>

[Era da pandemia]

06/08/2020

1. Todas as vias...

Todas as vias por onde posso percorrer
Uma apenas me interessa
Por sua face única, macia
A lua é a luz de toda posse
Manejada para controlar-me em fuga
Sem culpa nem peso
Eu vi o anoitecer
Parado, a luz escalda
Forte, outonal, é frio lateral...
Afundei enfim, não me busque.
Saudade das conversas noturnas,
Das leituras descompassadas...
Da firmeza em me revigorar
Já não existe mais a coisa toda
Por todo canto se desfaz
Já fui praticamente.

2.  Transcendência

A simples utopia de estar vivo,
A grande conjuntura de viver,
Mórbido amor e sorte,
O sonho que se repete...
De nada adianta, senão o máximo,
E por isso se vai, por que...
O máximo não existe, é sonho.
A vida que me aguarda repele,
Afoga-me no etéreo, vivaz e límpido.
Aos Alpes mais longínquos,
A fossa parece boa
Como um sopro a quem nada se tem
Longevidade a tudo o que se pode ter
Essas coisas são assim mesmo,
Perguntas inexploráveis, densas...
O medo de perder o que mal se tem.
É atitude deplorável de quem ama.
Ama coisas, lugares, pessoas, pousos leves...
Tenho medo de perder um talento,
Não deveria, mas é como se não existisse,
Não tivesse essência, matéria-prima...
Agradar a todos é impossível,
Agradar a si mesmo, nem tanto,
Não, se tiver a utopia correta.

3. É impossível não devanear ...

É impossível não devanear
Dentro de mim, me perdi
Coragem imaginária,
Subestimei minha mente a regressar.
 Onde posso me encontrar sem transbordar?
Não posso mais me enganar
A esses pensamentos ligeiros,
Fúteis, masoquistas, estrangeiros...
A tudo o que me consome arduamente.
Os museus vazios, ocultos...
São provas de que nada mudou
Continuou voltando e me matando
Repudiando o jardim, me corrompi.


4. Trinta

A menina que sempre sonhou
Ouvindo seus álbuns apaixonantes
Que saltou, sorriu, dançou, se emocionou...
Colheu flores, deitou na grama,
Cantou, gargalhou, abraçou...
A mulher de trinta que recorda
Grandes reflexões ela acorda,
Carregando seus álbuns sonhadores
Viajantes, delirantes, fascinantes...
Aspira suas flores, toca a grama,
Chora, sorri, rodopia...
Lê seu poema de anos, tão bom!
Minha brilhante vida inteira
Em musicas, passos, contos...
Noites em claro de sonhos sem fim...
A cama sabe de tudo.

5. Eu queria ser a lua

Eu queria ser a lua
E viver fantasiada
Pelas noites estreladas
Vivida, sendo invejada.
Antes ser a lua a ser o sol.
O sol explosivo não corrompe a lua,
Mas ascende suas lamparinas sem fim.
Eu queria ser a lua, dando banho no ar...
Eu queria ser a lua, no espaço de fuga,
Profunda, conquistadora, forte lua!
Eu queria ser a lua, sem pensar ou gritar...
Ladra lua de almas, corações fervescentes
Dos escombros da rotina, me salva
Gradativamente, a lua de desejos...
Eu queria ser a lua, por apenas uma noite...
A tua lua.

6. Mil Montanhas

Mil Montanhas
Fogo e força...
A força de mil montanhas
Que move as pedras em chão
Carrega consigo o desastre.
Foco. Me falta para seguir...
Só... queima minha pele
Ardente para sempre.
Os rios quentes não são em vão.
Eu sei. É mais pura honra.
Palavras e esboços se desprendem...
Levando consigo a maior,
Poderosa coisa que posso ter:
A força de mil montanhas.
Impulsionando meus ventos,
Guardam a fúria em sua passagem.


"Amanda Oliveira" <amandartmbop@gmail.com>

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Comentário de seus lindos poemas femininos...

Aos Poemas de
"Amanda Oliveira" <amandartmbop@gmail.com>

J B Pereira

Meste em literatura e críticas da cultura
em 2011
UFSJ/ MG

Obrigado por partilhar comigo sua linda produção recente de poemas vigorosos e juvenis... cujos perfis hibridam eus-femininos mais maduros ...

Sim, contemplar, deixar fluir as demandas do corpo sem reprimir (somos sente, temos corpo e desejos... não temos asas, mas a fé na eternidade nos faz transcender o passado, viver o presente e sonhar e projetar o porvir e arquitetar futuros...).
Dar tempo para as energias do corpo em adolescente ou juvenil coração, na alma e na busca da profissão... Percepção, oração com as palmas das mãos (sinta o calor do centro de suas mãos ao orar...) Contemplar o essencial no seu ser, no seu corpo, na sua alma feminina, lutar  por valores de seu tempo presente e está ligada ao que se passa no Brasil e no mundo (não ficar alienada...), apaziguar o espírito com boas amizades, orações, contemplação, leituras seletivas, evitar pornografia, pecados que ofendem a Jesus (ter a alma boa, linda, pura... não ficar pesada na hora da escrita e sua escritura fluir de bom alvitre... na mistica ... espiritualidade da mulher de Deus e cristã!).
Há sim, às vezes, os bloqueios criativos e lacunas na composição,  como se fôssemos gagos ou fanhosos ou dores sentindo ou as ideias não fluem... deixa em banha maria... volta outro dia. Coloca o papel perto de si, da sua cama, onde estiver... Quando vier a inspiração, o Espírito de Deus ("Paráclito ou Novo Advogado, Consolador dos cristãos, Confortador, Consolidador da comunidade cristã primitiva, O Dom de Deus em São João capítulos 15 a 17, na Bíblia) logo deixa as suas boas impressões na alma e os gemidos inexplicáveis ... ao bom ou à boa ou dedicada poeta que vai continuar captando e escrevendo, registrando o que sente e o que vai selecionando com qualidade.

A obra de boa qualidade é que nos defende como escudo!

Os monges ou padres do deserto procuravam solidão e silencio para enfrentar seus demônios e seus anjos interiores, suas esferas obscuras e o seu lado bom e luminoso. Isso aconteceu nos séculos V a VII d. C., no Egito. Daí surgiu profunda mística para a Igreja católica ...


Então, guarda tudo, publiciza aos poucos, seleciona o melhor, faz suas revisões a três dias depois, não subestime seu talento que vem amadurecendo...

Quando tiver dinheiro, faz seu livro... etc.
Tem boas editoras e bons preços.

Tenho dito!

Desejo a você a alegria de sucesso, porque esse dom vem do Alto, é para ajudar as pessoas que não conseguem escrever..
...

 Eis o que penso!

 J B Pereira

"Trinta...", o número redondo em décadas aponta para a mulher a rememorar álbum.
Tão nova, existe uma leitura sublinhar da dor da saudade com a alegria de viver.
Sente-se a solidão no ar, atenuada pela grama e a natureza e suas memórias.
Não há como fingir não ser, quando se é só, só se vive...

"Alpes longínquos... " é a dualidade tensa e angustiantes de quem precisa ainda representar, sim: para não se perder ao perder o que se ama.
Ama o que tem, parece feliz, mas tem que segurar como ao morador dos Alpes sua riqueza e sua terra.
De repente, algo pode acontecer. Vive do medo de perder o que ama, o que conquistou, o que aprendeu a defender, a dizer fazer parte de si e de sua vida ordinariamente tão calma...

"Todas as vias... " é a revisão ou uma especie de diário noturno,
 exame de consciência talvez, não de pecados (mas de coisas boas que se volatizaram tão rápido: tudo que é solido desmancha no ar...
As coisas mudam, esse eu lírico não quer que se mude, luta para permanece como se é por anos...
Tem que admitir mudanças sutis... inevitáveis... ventos que sobram frios, o calor que se despede... é uma observadora atentíssima, a noite tudo rememora como a coruja a sua casa noturna alça voo sem demora.

"É impossível não devanear..." Devaneio... Desilusão... Ilusão... Cair na real... ver a contramão ... mas ainda querer o que se vivia antes... O real nos faz sofrer por ser novo ou não, é desconfortável. O debate da alma nos parece shakespereano em "To be ou no to be: This is question!" ou gotheano diante de Fausto, que está arrependido de vender sua vida ou sua alma ao diabo. É preciso ter coragem. Mas, como regressar? Se tanto se corrompeu? A crise de consciência está entre o dever ser como ética e o não poder ser na corrupção. Entre ser justo e deixar-se seduzir por privilégios e poderes...

"Metáfora eufórica sedutora..." é a mais encantadora, o eu feminino se dissolve e abruptamente, ou aos poucos, se alinha aos elementos da natureza e da cosmogonia da natureza em flor, fluente, envolvente, excitante. A alegria do encontro com a natureza sutil é a metáfora do encontro amoroso que está entre a terra e o céu na mitologia, o sol e a lua entre os povos primitivos, o homem e a mulher entre a origem da vida.

O êxtase e o orgasmo são as expressões do processo de esvaziamento e entrega radical de si ao outro no diáfano dos corpos e as vestimentas translúcidas do nu ou das sedas dos olhares erotizantes (não pornográficos) para o acasalamento feliz e pessoal, universal.
O Cantares ou Cântico dos Cânticos nobilizou-se na metáfora eufórica e sofrida dos encontros dos amantes a procura um do outro e dos riscos de afastamento e incompreensões e perseguições.
Lutam para se unirem e a mãe da amada aceita o amado.

Na vinha, no campo, entre gamos (= veados, corças) , corsas, a primavera vem e os dois amados se veem.
Deus vai ao encontro do povo fiel. Este povo corre ao encontro nupcial de seu Javé, o Deus Fiel e Libertado, o Amado Esperado. Motivo de ser celebrado...
A criação geme dores de parto enquanto não se dá o encontro libertador e salvífico total: a redenção e a parusia, no sentido bíblico e paulino (São Saulo em uma de suas cartas)

A loucura de amar, a febre de se dar, a paixão irresistível... nos conduz ao embate dos corpos ao amor; ou à solidão ou afogar-se no "pulso solto,  me levam ao ar" do suicídio da psicopatologia do amor reprimido ou proibido? ... A morte da amada é a entrega de si ao ser amado ou a total alegria do prazer de quem encontrou,  finalmente, seu tesouro na jornada?

"Transcendência ..." é a tensão de ser aqui e lá, vencer os limites e assumir a sua alma... sua humanidade é o casulo de um plus! Vita plus: vida além e vida a mais, uma fase nova, uma chance... quando se na história as coisas não são bem assim: ou lá ou cá. Doenças, limites terríveis, decisões enjaulantes, medos irremediáveis, viver a cada dia para se fazer diferente.

Mas, para que ser diferente, se for para viver aqui e morrer? Morre-se a cada dia na esperança de vencer a cada esperança de viver bem a cada dia. Se as opções nos fazem, pagamos caro pelas consequências? Ou, doutro modo, pode-se ser libertador ter que escolher e viver cada efeito das escolhas?

Estes dois últimos podem ser a chave-de leitura articulado dos outros à medida que dá respostas às lacunas do outros poemas e ao sentido da vida, viver para ser feliz, aproveitar cada dobradura da vida e suas ambiguidades para nos transcender...

A essência é divina, a existência é humana! Não se amadurece logo logo, as dores e e as sofrências fazem parte da decência e da capacidade de ser quem somos e escolher ser e evitar a corrupção... o jogo do bem pode vencer,depende de você e da graça de escolher o Divino no seu ser!
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J B Pereira e mas recentes De: "Amanda Oliveira"
Enviado por J B Pereira em 24/07/2020
Reeditado em 06/08/2020
Código do texto: T7015793
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
J B Pereira
Piracicaba - São Paulo - Brasil
2826 textos (1569582 leituras)
35 e-livros (529 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/04/21 16:26)
J B Pereira