Algodão para encher bonecas

Troquei os braços, tronco e dedos

Refiz e tintei seus cabelos

As curvas, também estou por certa

Mas sempre ocorria a mesma merda

Troquei seus olhos por porcelana

Quase parecia uma adorável criança

Contudo, o mundo que lhe ofereci

Foi o mesmo que jamais mudou por mim

Troquei e destroquei a adaptação

Reordenei, para ela, da raiva a paixão

Somente, no último momento pude notar

Que o erro estava em por ali continuar

Destroquei e retroquei cada confusa mudança

Até chegarmos a uma fase random da infância

Nua e limpa como uma tábua bruta

Fugimos e encontramos a alegria na esquina da nossa rua

Sirukyps
Enviado por Sirukyps em 08/06/2020
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