LUA DA CIDADE

Diante de tanta clareza
por que nos cega a razão?

E se a tua beleza
impõe-se tão clara,
flamejante na imensidão,
por que escureço em mim?

Falta-me
o beijo de amor,
o afeto, a ternura
ou o tocar das mãos?

Os potentes watts
escondem da cidade
a tua natural poesia
e morremos ao anoitecer
todos os dias,
preso na nossa
insana objetividade.


Na contramão da vida
os carros aceleram

pelas ruas e avenidas
levados pela nossa
obtusa rotina.

E como uma amante 
obcecada por um olhar,
flutuas nua
quase abandonada
sobre a nossa paisagem
Rosalvo Abreu
Enviado por Rosalvo Abreu em 10/01/2020
Reeditado em 10/01/2020
Código do texto: T6838896
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