I
Deus, por favor...
tire o meu time de campo.
 
Não me ponha em quartos de hospitais
Sendo convencido
por enfermeiras
 
(donas de alguns dos meus sonhos mais eróticos)
 
...de que estou
adoecido.
 
Não que eu não sinta
a morte, às vezes...
Oh, eu sinto!
 
Mas ela surge ao meu lado
me beija
e vai embora.
 
 

II
Não me ponha,
num estádio...
Berrando.
 
Não me ponha,
numa novela...
Chorando.
 
Não ponha,
numa prisão...
Gostando.
 
Não me ponha,
numa dor...
Amando.
 

III
Deus, por favor...
tire o meu cavalinho
da chuva.
 
E me poupe de
tanta dor...
Não deixe que despejem
de uma só vez, todo esse Rock'n'Roll
e toda essa agressividade.
 
Não deixe que despejem
todo esse sexo
e todo esse carnaval.
 
Amores loucos, atitudes loucas
Voz abafada
e rouca
 

IV
Colhendo tempestades...
 
E plantando ira
Plantando egoísmo
Plantando vaidade.
 
Tudo é ilusão
Tudo é vaidade.
Não deixa não...
Não deixa não...
 
Deus,
tira meu cavalinho do campo
tira meu time da chuva
tira o meu canto do pranto.
 
E me dá acalanto...
Acalanto.