A Última Árvore da Periferia
A árvore que sobrou na vizinhança.
No seu balanço não brinca nenhuma criança,
Não sombreia no sol ou acolhe na garoa,
Parece não gostar de nenhuma pessoa.
Se eu fosse um pássaro, faria nela meu ninho
Ou, quem sabe, escolheria o sábio caminho
Dos pássaros antigos que foram embora
E deixaram calados os galhos de agora.
Tão só quanto velha, incrustada no chão:
A última estranha da periferia,
Derradeira de tantas que vimos um dia.
Nossa velha árvore não serve pra nada,
Não abriga, não sombreia, não embala,
Entretanto, não há quem se atreva a cortá-la.