INDIFERENÇA

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O alemão Martin Niemoller se inspirou em VLADIMIR MAIAKOVSKI (maior poeta russo do século XX) para adaptar um texto acerca da indiferença humana e expor sua indignação diante das atrocidades nazistas, transcrito adiante e seguido de adendo feito pelo autor.

Nas considerações, cabe analisar:

a) por que as guerras não cessam, e se projetam - para as de amanhã - armamentos mais modernos, sofisticados e cada vez mais letais?

b) a corriqueira expressão "violência gera violência" é um mesmo sentimento que se esconde dentro de cada ser humano? 

c) será verdade que ninguém tem nada a ver com as atrocidades no Oriente Médio, onde  - sob o escudo de uma divindade -, se praticam horrendos fratricídos (uma exibição fanática de força e poder pela "fé")?

d) diante das tantas formas de destruição da vida visando a tomada do poder, a atitude de quem pensa que delas não participa tem sido neutra, reflexiva, preconceituosa, tolerante ou indiferente?

 
Não precisa responder, pensemos:
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PRIMEIRO LEVARAM OS JUDEUS,
MAS NÃO FALEI,
POR NÃO SER JUDEU.

 
DEPOIS PERSEGUIRAM OS COMUNISTAS.
NADA DISSE, ENTÃO, POR NÃO SER COMUNISTA.
 
EM SEGUIDA, CASTIGARAM OS SINDICALISTAS.
DECIDI NÃO FALAR, PORQUE NÃO TOLERO SINDICALISTAS.
 
MAIS TARDE FOI A VEZ DOS CATÓLICOS.
TAMBÉM ME CALEI, POIS QUE SOU PROTESTANTE.
 
AÍ, NUM DIA, VIERAM BUSCAR-ME,
MAS,
A ESSA ALTURA,
JÁ NÃO RESTAVA NENHUMA VOZ
QUE EM DEFESA DE MIM
SE FIZESSE OUVIR.

 
(adaptado por Martin Niemoller)
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Do autor:


EU, INDIFERENTE

Para o tão pouco que fiz pela humanidade:


bastava eu ter sido do tamanho e valor
de uma moeda

com um centímetro de raio;

bastava eu ter sido um brinco torto,
num porta-joias empoeirado,
guardado, recusado;


bastava ter tido o tamanho e a eficiência
de um comprimido vencido,
num frasco,

escondido.

Bastava nem ter nascido.


(Fernando A Freire)


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Fernando A Freire
Enviado por Fernando A Freire em 12/09/2014
Reeditado em 04/12/2016
Código do texto: T4958786
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